Falando sobre tudo

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terça-feira, 20 de março de 2012

Conto 1





CONTOS

Conheci uma pessoa que se relacionou por 2 (dois) anos, com outra. Se apaixonaram e resolveram se casar. E para isso teriam que sair do “virtual” e encarar a realidade da pessoa de carne e osso. Bem, uma delas sem condições de absolutamente nada, tinha filhos pequenos  e era desprovida de recursos financeiras, a outra, ganhava , digamos que, razoavelmente bem, tinha casa própria  ( herança do pai, inventário em andamento) e uma família que não aceitava sua, digamos, “ condição sexual”,  Enfim, formou um “problemaço”. Se ela fosse até a outra pessoa, não teriam casa própria e teriam que alugar (R$), uma vez que não tinha como vender a casa que morava, pois se tratava de herança e teria que ter consentimento de sua irmã mais velha e homofóbica. Esquece, nunca ela iria aceitar a venda, teria que esperar o inventário terminar, vender a casa e receber sua parte, que ficaria pequena para compra de outra casa. Enfim, esquece, isso leva mil anos, na justiça, pois tratasse de litígio ( briga entre herdeiros). Se a outra viesse até ela, teria que assumir o relacionamento e isso custaria sua família e muitos aborrecimentos.  Isso sem contar, que as crianças ficariam longe do pai e familiares. Além de ter que pedir autorização do pai para viajar com os filhos ou numa outra opção,  deixá-los com alguém ( pai, tios, avós), por algum tempo ( nem se pode precisar isso) Abrir mão dos filhos é algo bem pessoal e de difícil decisão.  Teriam que esperar as crianças crescerem e poderem decidir a guarda e/ou poderem viajar a cidade natal e ver seus familiares. Esquece isso também, levaria anos. Sobrou a decisão radical de largar tudo e ir até sua amada virtual, isso significa largar o emprego, a família, a casa , os amigos e tudo o mais. Pensou minha amiga que poderia facilmente arrumar um emprego na cidade da amada, com o tempo sua família aceitaria seu relacionamento, a casa poderia ser alugada, até a saída do inventário e os amigos se quizessem que fossem visitá-la, ora bolas. Pensamento de minha amiga, numa tentativa desesperada de resolver seu problema.
A idéia parecia boa, só que não aconteceu como previsto e sonhado.  Vamos chamar minha amiga de Val e sua amada de Teka,  para facilitar . Val se organizou como planejara, falou com a irmã e resolveram alugar a casa. Claro que não disse a verdade, disse que tinha recebido uma proposta de trabalho em outro estado. Durante anos, Val juntou dinheiro para a tal viagem e tinha o suficiente para se manter por alguns meses. Vendeu seus móveis, pois a transportadora cobrou um horror para levar sua mobília para outro Estado, nem valia a pena. Doou seu cachorrinho e alguns pertence que guardava de recordação. Enfim, se desfez de seu passado e de tudo que guardava, à anos, como recordação de avós, pais e ex namoradas. Mas, tudo valia à pena, pelo menos, naquele momento.  Pediu demissão do emprego e até conseguiu uma boa carta de referência e com o acordo, ainda levou um dim-dim a mais. Estava tudo pronto, pensou Val, vou ser feliz, agora. Comprou sua passagem, de ônibus, claro, para economizar e foi em busca de sua felicidade.
Do outro lado, Teka, também se organizou, falou com seus familiares que iria morar com uma amiga, definiu com o pai das crianças dia e horário certo para que eles as visse e uma pensão alimentícia para os filhos, numa ação judicial sem problemas. Teka, também havia juntado um dinheirinho e comprou seu novo enxoval, feliz da vida. Teka e seus filhos moravam com os avós paternos, depois da separação. Comprou jornais e escolheu uma casinha boa, grande e com valor de aluguel que as duas amadas poderiam pagar e conversou com seus filhos e parentes, sobre tal decisão de morar com uma “ amiga”. Tudo parecia certo e as duas estava felizes. Durante anos, se falavam por todos os meios de comunicação, ou seja, telefone, celular, internet, cartas, e-mail etc. Trocavam presentes por sedex e se viam através de fotos e web cam. Não tinham qualquer dúvida de que tudo iria dar certo e de que seriam felizes para sempre.  Chegou o grande dia e Val encontrou com Teka, finalmente. De cara, iniciou seu maior problema. As duas se olharam, na rodoviária e perceberam que eram diferentes das fotos e da imagem da web cam. O susto foi inevitável e inegável. Visível a frustração e decepção no semblante das duas amadas. Enfim, passaram por esse estágio, afinal, ninguém é igual em fotos e imagens e nem eram feias, para dizer a verdade eram bonitas, as duas. Apenas, eram diferentes da imagem que haviam formado, ao longo do relacionamento. Bastou algumas horas para se acostumarem com essa nova imagem do real. Teka, já havia alugado a casa em seu nome e com deposito de três meses que Val havia enviado para sua conta bancária. Os valores que possuíam juntas, cobriu perfeitamente o deposito exigido pela imobiliária e a compra dos móveis da casa, que seria o ninho de amor das duas. O fato é que Val não gostou da decoração e nem de determinados móveis comprados. Alguns desnecessários ou caros, outros completamente em desacordo com a decoração planejada, enfim. Em três dias de convivência, Val não agüentava passar o dia todo ouvindo gritos, não estava acostumada com crianças. A Teka, mãe dos menores gritava o dia todo com seus filhos e estes alem de gritos e choros, corriam pela casa e desarrumavam tudo que Val e Teka passavam a noite toda organizando e arrumando. Não tinham tempo para namorar, pois Teka passava boa parte da noite no quarto das crianças que tinham dificuldade para dormir, isso quando as crianças não iam para cama do casal. Começaram as brigas e em 15 dias estava desfeito todo sonho de amor e paz que Val imaginava.  Teka, por sua vez, estava insatisfeita, pois Val, apesar de nada falar, demonstrava irritação com seus filhos e o estresse e as varias decepções deram inicio ao caos no relacionamento que imaginavam ser para a vida toda e contemplado de felicidade eterna. Sonhos desmoronados e insatisfação, levaram a descobrirem que se precipitaram. Mas, já tinham quase 3 anos de relacionamento virtual, como assim, se precipitaram? Bem, no virtual, não tinham gritos de filhos, dificuldades financeiras, cheiros, contato físico e nem ex marido e pai das crianças adentrando sua tela para dar opiniões e se meter na vida do casal.  Isso por que até então, o tal pai das crianças nem imaginava se tratar de um casal, mas de amigas que viviam juntas. Começaram a falar em separação, mas.... Val havia se desfeito de tudo, amigos, cãozinho, família, casa, trabalho....e Teka, saíra da casa dos sogros e com o que ganhava não tinha como assumir o aluguel da nova casa e demais despesas com o que ganhava e a pensão das crianças. Não tinham como voltar a atrás, estavam perdidas e agora, com muitas dificuldades. Resolveram por continuarem a morar juntas, sem que houvesse relacionamento amoroso e sexual. Mas, se esqueceram de que o motivo da separação foi exatamente o da convivência ( filhos, ex marido, família, dinheiro, trabalho, gritos etc. Nem perceberam isso e decidiram dar continuidade, imputando ao relacionamento somente os problemas sexuais e de sentimentos. Sexuais? Sim, sexuais. No virtual era tudo perfeito, gozavam horrores, mas era virtual. Na real, o cheiro não era agradável, a pele nem era tão macia e lisa como imaginava quando se masturbavam e para terminar eram incompatíveis sexualmente falando. Val era relativa e Teka somente passiva. Passiva, com restrições, para dificultar mais ainda. Sentimentos? É, sentimentos. Se diziam apaixonadas e amando loucamente uma a outra. Só que, a imagem e o fisíco eram, diferentes. Quero dizer, que o que imaginavam não batia com o que era na real. Nem ruim e nem bom, apenas diferentes. Se apaixonaram pela voz e pela imagem que lhes eram passadas e consequentemente fantasiaram uma a outra de acordo com que lhes convinha e sonhavam. Val, percebeu que se apaixonara e continuava apaixonada pela voz e imagem que durante quase 3 anos ouviu e sonhou e que esta nada tinha a ver com a pessoa de carne e osso que estava a sua frente e Teka nem conseguiu atingir essa descoberta, achando que se enganara e que na verdade havia se precipitado e que não amava Val como imaginara. Enfim, o caos se formou. Em pouco tempo, suas vidas viraram um inferno e sem condições de retomar a vida anterior.

2 comentários:

joana m s disse...

nossa que historia triste.

Vitoria ACosta disse...

Ola Joanam sim muito triste e frustante, mas isso acontece toda hora, quando pessoas ficam namorando letrinhas e voz. rsrs Criam-se expectativas quanto a tudo e principalmente fisica e sexual e na maioria das vezes, nao correspondem no real. Dificil isso, viu! Enfim, Final da historia, Val voltou para sua cidade, contou tudo que aconteceu para sua familia e conseguiu arrumar outro emprego e voltar para a casa da familia e em inventario. O cachorro? Nunca mais viu, as recordações? Ficaram somente na memoria e os amigos, ah, a maioria se perdeu pela vida, ela fez novos amigos e hoje diz que nao quer saber de internet e salas de papo, agora so namora no real mesmo. rsrs
Beijos carinhos

Vitoria ACosta

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